segunda-feira, novembro 11, 2019
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Crise brasileira vira dor de cabeça para os vizinhos

Marcia Carmo
A crise política e econômica brasileira está se tornando uma dor de cabeça também para países da América do Sul.
Nos últimos dias, representantes dos governos da Argentina, Bolívia, Uruguai e Venezuela expressaram preocupação com o desenrolar do imbróglio brasileiro e seus possíveis efeitos regionais.
“Se o Brasil espirra, a Argentina pega tuberculose”, resumiu a ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra.
Na segunda-feira, Malcorra – que faz parte do governo de centro-direita de Maurício Macri – pediu uma reunião entre chanceleres do Mercosul para “demonstrar preocupação e apoio” ao país.
“(No governo Macri) apoiamos a presidente Dilma, que foi eleita democraticamente, e esperamos que o Brasil resolva a crise dentro dos procedimentos democráticos”, afirmou, segundo a imprensa local.

De acordo com jornais argentinos, Macri tem dito que, como o Brasil é o principal parceiro da Argentina, claramente a crise política brasileira afeta o país.
Segundo Macri, setores que vendem para o Brasil estão em recessão em função do mau desempenho da economia brasileira.
Raúl Ochoa, professor de teoria de comércio internacional da Universidade Tres de Febrero, explica que a expectativa era que a Argentina voltasse a crescer no segundo semestre, mas a crise política e econômica brasileira pode adiar essa retomada.

“A Argentina deve resolver seus problemas internos, como a inflação, mas o Brasil em crise compra menos da Argentina e, com o real desvalorizado, também fica mais competitivo para exportar para nosso mercado”, diz Ochoa
“Se o Brasil compra menos afeta diretamente a economia argentina, independentemente da queda no comércio internacional em geral”, agrega o economista argentino Marcelo Elizondo, da consultoria DNI.
Integração ameaçada
Antes da Argentina manifestar sua preocupação com o Brasil, o presidente da Bolívia, Evo Morales, tinha pedido uma reunião “de emergência” da Unasul para “defender a democracia no Brasil, Dilma, o companheiro Lula e todos os trabalhadores”.
Evo disse, em La Paz, que a reunião seria para “evitar qualquer golpe do Legislativo ou do Judiciário” brasileiros.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também propôs “uma mobilização latino-americana para apoiar Dilma e Lula”.
Comentários em tom de preocupação foram feitos ainda pelo secretário-geral da Unasul, o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, e o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa.

Para o cientista político boliviano Fernando Mayorga, da Universidade Mayor de San Simón, de Cochabamba, a crise brasileira pode ter um impacto importante nas iniciativas de integração regional, embora ele considere improvável que haja qualquer problema com o abastecimento de gás boliviano ao mercado brasileiro.
Já Ricardo Israel, da Universidade Autônoma do Chile, em Santiago, descarta que a crise brasileira tenha um “efeito dominó” na região.
Israel diz que o Brasil sempre exerceu uma liderança regional “branda”, que “permitiu o avanço do chavismo na região”, e, até por isso, a crise política brasileira pode não ter um impacto significativo nos países vizinhos na sua opinião.

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