sábado, agosto 24, 2019
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‘Eu, Camila Pitanga, entendo que esse governo provisório é ilegítimo’

A atriz e Embaixadora Nacional da ONU Mulheres Brasil publica texto em redes sociais denunciando golpe e aponta: mais do que nunca, precismos nos unir.

por NINJA

Acordei hoje com o turbilhão de notícias e informações sobre o vazamento de conversas entre o novo ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro Roberto Machado. Minha primeira reação – acredito que a de vocês tenha sido a mesma – foi de espanto e revolta, mas acredito que, mais do que nunca, precisamos nos unir. Refletir para poder agir conjuntamente. Sem o intuito de ter razão, apenas buscando um consenso que se preste a, finalmente, mudar o país.

Os graves fatos expostos são muito mais do que uma conversa que coloca em suspeita Ministros do Supremo e lideranças de grandes partidos do Brasil. Os áudios mostram uma costura de tramas e manipulações, onde mídia, empresariado, castas políticas e nós (o povo) tivemos um papel de encobrir esquemas que – pelo jeito – atingem todas as instituições.

Vamos aos fatos:

1. A Folha de São Paulo de hoje (23/05) reporta uma conversa gravada legalmente entre o Ministro do Planejamento do Governo Temer Romero Jucá, alvo de inquérito no STF, e do ex-presidente da Transpetro Roberto Machado, também envolvido na Lava Jato;

2. Eles discutem aberta e claramente formas de estancar e atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato;

3. Ao falar disso, mencionam Ministros do STF, nomeiam líderes dos principais partidos do Brasil e falam de instituições, como o Exército, que não possuem atribuição política;

4. Para deter a Lava Jato, segundo Jucá e Machado, a única alternativa seria o afastamento da presidenta eleita, Dilma Roussef. Conforme o Ministro de Temer, a mudança de poder estancaria a “sangria” atribuída as investigações;

5. É importante destacar que essas conversas foram gravadas em março, antes da votação do impeachment na Câmara;

6. Jucá e Machado ainda ressaltam a importância de manter Eduardo Cunha no poder.

O que fica claro é a criação de uma trama envolvendo todas as esferas da sociedade e instituições brasileiras, a fim de manter no poder políticos e partidos. Nisso, a divisão e o fomento do ódio entre o povo foi encorajada pelos nossos próprios “líderes”.

O que fica ainda mais óbvio é que o afastamento da presidenta Dilma nada tem a ver com as pedaladas fiscais, possível crime de responsabilidade, questionado por inúmeros juristas, pelas quais ela está sendo julgada. Um(a) presidente(a) só pode sofrer impeachment quando ele(a) pratica crime, o que nesse caso, não aconteceu. O que ocorreu foi um golpe. Onde a elite política brasileira nos fez de arma contra a nossa democracia, a fim de proteger seus interesses.

Eu, Camila, entendo que esse governo provisório é ilegítimo. Que os caminhos que levaram essas pessoas ao poder é ilegítimo. A ideia aqui é mostrar que a corrupção não acontece de um lado só. E isso precisa parar! Todos devem ser punidos.

Espero que nós possamos abrir aqui um espaço para o diálogo, sem ofensas e agressões, ou seja, onde a racionalidade se faça presente.

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