quarta-feira, outubro 23, 2019
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Eutanásia, contra ou a favor ?

O fim da vida é um assunto bem complicado. Não chega só para quem viveu uma vida plena, tranquila, e agora se despede tranquilamente da existência. O fim da vida pode ser uma luta contra uma doença ainda incurável, contra dores sem alívio. Para abreviar o sofrimento, algumas pessoas optam por terminar a vida com o suicídio assistido. Existem médicos que por pena do paciente que está sofrendo, desligam seus equipamentos para acabar com a dor. Isso se chama eutanásia, a palavra cuja etimologia vem do grego e significa “boa morte”.
No Brasil, essa discussão ainda tem nada esclarecido, não há qualquer projeto sobre o assunto na Câmara dos Deputados, por exemplo. O paciente em estado terminal não tem muitas opções, ele pode continuar o tratamento ou apenas esperar a morte chegar. Nesse caso, a opção é o cuidado paliativo — um conjunto de ações tomadas por uma equipe interdisciplinar de médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais que se juntam para tornar a vida do paciente o mais confortável possível.
“Buscamos, acima de tudo, a qualidade de vida. Trabalhamos a vida, enquanto ela existe, em uma abordagem multidisciplinar. Há o alívio da dor e dos sintomas, a avaliação dos procedimentos invasivos, mas também se enxerga o paciente como um ser vivo, que tem espiritualidade, que tem uma família que também precisa de apoio”, explica Anelise Pulschen, diretora do Hospital de Apoio de Brasília. No hospital, há uma ala dedicada a esse tipo de cuidado, e a maioria dos pacientes são oncológicos. A novidade é uma pequena área inaugurada para cuidado de pacientes geriátricos. O tratamento paliativo não acontece apenas nos últimos dias. É, na verdade, um trabalho que deveria começar com o diagnóstico.
O paciente em cuidados paliativos não são obrigados a ficarem nos hospitais, alguns recebem atendimento domiciliar, alguns comparecem ao hospital somente para procedimentos necessários.
A VISÃO DA MEDICINA Segundo José Hiran Gallo, doutor em bioética e diretor do Conselho Federal de Medicina, a determinação médica hoje é garantir a autonomia do paciente. “Ele tem o direito de decidir se quer o tratamento ou não, e o médico tem que aceitar essa decisão. No caso do paciente incapacitado, se ele designou alguma pessoa para representar suas decisões, as informações serão levadas em consideração. Hoje, estamos preocupados em garantir uma morte digna”, afirma. Se o paciente não tem chance de recuperação, ele raramente vai para a UTI. O procedimento padrão é mandar o paciente para a casa, para o aconchego dos familiares, para passar os momentos finais perto de quem ama, com tratamento paliativo.

“O médico não pode dar um tratamento desumano ao paciente que está na fase final. Não se adia a morte por meio de métodos reanimatórios de alguém que está sofrendo sem esperança”, explica Hiran. A ortotanásia, que também é conhecida como eutanásia passiva, e que significa, ao pé da letra, morte correta, continua sendo a forma mais indicada para lidar com o paciente que está morrendo.
PERSPECTIVA RELIGIOSA As opções para abreviar a vida também são malvistas pela maioria das religiões. O consenso é o mesmo do suicídio, e só quem pode tirar a vida é quem a deu: o deus de cada religião. Dom Flávio Irala, presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, explica que as igrejas ainda não têm uma discussão acumulada sobre o assunto, e não há uma posição definida. “Nós valorizamos a vida com qualidade, com plenitude. E somos contrários tudo o que atenta conta isso. É um tema que ainda precisa de muita discussão”, afirma.
Eutanásia e suicídio assistido são proibidos no Brasil, as duas opções são formas de acelerar a morte, seja por decisão medica ou do paciente. A eutanásia é mais polêmica porque, neste caso, o paciente não tem como dar sua opinião, ou está inconsciente ou sem lucidez. O medico que deve decidir dar fim ao sofrimento. O suicídio assistido é hoje a linha mais aceita no mundo, onde o paciente, ainda lúcido, toma a decisão de abreviar sua própria vida.

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