sábado, julho 20, 2019
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Governo decide cortar ponto dos servidores em greve

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Sem conseguir negociar um fim nas paralisações, Rollemberg engrossa o jogo com corte nos pagamentos

Francisco Dutra e Millena Lopes

 

O Palácio do Buriti decidiu cortar o ponto dos servidores públicos em greve, cujas paralisações foram consideradas ilegais pela Justiça. O governador Rodrigo Rollemberg criticou abertamente as direções dos sindicatos E as culpou pelo impasse nas negociações e por fomentar a omissão de atendimento, principalmente na Saúde.

“Eu tenho convicção que a maioria dos servidores não concorda com isso. Não concorda em negar atendimento a um doente. Não concorda em negar remédio a um doente. Não concorda em prolongar o sofrimento das famílias atrasando a liberação de corpos do IML. E nós vamos tomar as medidas que estiverem ao nosso alcance, para punir a omissão de socorro e praticas que estão completamente em desacordo com a dignidade humana”, criticou Rollemberg.

No começo deste mês, o governador falou sobre o corte do ponto, mas recuou diante da possibilidade de um acordo com as categorias. No entanto, ao longo das últimas semanas, o diálogo não evoluiu e parou em um impasse. De um lado, o GDF ofereceu os reajustes a partir do dia 1º de outubro de 2016, sem o pagamento do retroativo. Do outro, os servidores pedem as recomposições salariais mais cedo e exigem o pagamento do retroativo.

“A folha do Distrito Federal fecha muito cedo. Mas nós já determinamos a todos secretários que possam fazer os acompanhamento das presenças, os registro das ausências. Para tão logo for fechada a próxima folha seja feito o desconto dos dias parados”, afirmou o governador.

Orçamento

Do ponto de vista do governador, o DF precisa começar um debate sério sobre o orçamento, considerando que grande parte dos recursos públicos estão direcionados para o pagamento de pessoal. “7% da população não pode se apropriar de 81% do orçamento do Estado. O orçamento do Estado tem que ser democratizado e tem que chegar para aqueles que mais precisam”, declarou.

Para Rollemberg, a atual distribuição do orçamento priva o DF da capacidade de investimento.

Para sindicato, medida é “golpe”

Sindicatos prometem responder ao endurecimento do governo, com a intensificação dos movimentos. “A cada ação do governador, a gente vai ter uma reação” , sentenciou Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde, ao sair de uma reunião no Palácio do Buriti, com articuladores do governo. Sem negociação.

“O governo quer dar o golpe nos servidores”, disse, mencionando a falta de uma proposta formal para pagamento da última parcela dos reajustes salariais, aprovados na gestão passada. O sindicato tem feito assembleias diárias, “na esperança que o governo queira negociar”, segundo Marli.

Ato contra rollemberg

“Vamos intensificar o movimento”, avisou, lembrando que haverá um ato público, na manhã de hoje, em frente ao Tribunal de Justiça do DF, quando os sindicalistas protocolizam ação de improbidade contra Rodrigo Rollemberg. “Aí a escolha é do governador. Se ele quer negociar ou  transformar a cidade em caos”, concluiu Marli.

Para Ibrahim Yusef, o corte de ponto é natural em uma greve. Mas, o instrumento, que sempre é levado para as negociações, é usado pelo governador para intimidar os servidores. “Isso acirra mais os ânimos”, observou.

Para Cláudio Antunes, do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), o governo anuncia o corte de ponto, mas já cortou os salários dos servidores, desde setembro, ao não cumprir as leis e pagar os aumentos. “Vamos continuar na luta e não vamos desistir não”, disse.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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