quarta-feira, fevereiro 20, 2019
Início > Geral > Setor gastronômico lança manifesto contra o golpe

Setor gastronômico lança manifesto contra o golpe

O documento é assinado por 80 pessoas do setor gastronômico e une bartenders, críticos gastronômicos, pesquisadores, chefs e até empresários do ramo

Por Redação Fórum

Representantes de um setor, que segundo o manifesto, gera 6 milhões de empregos assinaram um manifesto no dia 10 de junho contra o impeachment e em apoio a presidenta eleita Dilma Rousseff. O documento é assinado por 80 pessoas do setor e une desde bartenders, críticos gastronômicos, pesquisadores até chefs e empresários do ramo.

No texto eles criticam a maneira como está sendo conduzido o processo de afastamento de Dilma e aos rumos que o Brasil está tomando nas mãos do vice-presidente Michel Temer.

“Contrários ao ódio de classe, à intolerância e à histeria coletiva que tomou conta do país, temos amor ao Brasil e a convicção de que democracia só se cura com mais democracia”, diz o texto.

Confira o manifesto na íntegra:

GASTRONOMIA CONTRA O GOLPE

Tem panela, coxinha, mortadela e, agora, até racionamento de comida à presidenta eleita. Não faltam ingredientes gastronômicos indigestos na desastrosa receita política do Brasil de hoje.

Nós, representantes da gastronomia brasileira, não podíamos assistir a esse cenário de ruptura da ordem constitucional democrática sem manifestar nossa profunda tristeza e indignação.

Representantes de um setor que gera 6 milhões de empregos diretos em todo o país e que é a porta de entrada no mercado de trabalho para muitos brasileiros, sejam como estagiários, cumins ou garçons, até pesquisadores, jornalistas da cultura gastronômica, chefs, empresários do setor de alimentos e bebidas, restaurateurs, apaixonados pela gastronomia, que vivem dela ou por ela, vimos manifestar o nosso repúdio a essa ruptura por que passa hoje o Brasil.

O governo é provisório, mas os traumas, permanentes. Nossa jovem democracia sofre um de seus mais duros golpes e exige de todos coerência e compromisso históricos. Uma presidente legitimamente eleita por 54,5 milhões de votos está afastada sob um pretexto ininteligível para a maioria dos mortais, as pedaladas fiscais. Empréstimos contábeis que seus antecessores e dezenas de governadores cometeram e cometem, mas que só são crimes porque, para a presidente, a lei parece ter outro peso. Justiça com pesos diferentes não é Justiça, é vingança, é golpe. A maioria dos congressistas não faz ideia do que seja “pedalada fiscal” e recorre ao “conjunto da obra” para justificar o impeachment, como se fizesse parte de um júri de menu-degustação. Um pastelão que nos envergonha mundo afora.

Ao arrepio da lei, sob o argumento falso-moralista de “crime de responsabilidade”, a presidente foi substituída por um vice ficha-suja e inelegível, cuja postura é completamente incompatível com a que se espera de um companheiro de chapa, e por um ministério (em sua totalidade, formado por homens e brancos, um retrocesso que não se via desde o governo Geisel), cuja idoneidade não resiste a uma simples pesquisa no Google. Assistimos, atônitos, ao BBB do governo interino, com uma queda por semana.

O ato de cortar a comida de uma chefe de Estado, sua família e equipe nos sensibilizou não só por ser mesquinho, mas por ser medíocre. Um dos inegáveis méritos da gestão Lula-Dilma foi o de promover a ascensão social. Segundo a própria ONU, Lula e Dilma tiraram o Brasil do mapa da fome, dando dignidade mínima a 36 milhões de brasileiros. E foi justamente a essa chefe de Estado, gestora do Fome Zero, que o presidente interino negou comida, num gesto totalitário, anticonstitucional e incompatível com o de um vice de um projeto vitorioso nas urnas.

Trata-se bem mais do que cortar a comida e direitos legítimos de uma presidente eleita, trata-se de simbolicamente relegar à indigência a democracia e a inteligência no Brasil. A indignação inspirou esse movimento de “alimentar a democracia”. A gastronomia, que nutre, agrega, reúne famílias, amigos e até inimigos em torno de uma mesa, que é capaz de promover a paz, também se une em defesa da democracia.

Este é um manifesto apartidário, assinado por fãs de coxinha e de mortadela, de Cuba e de mojitos, de café, fé e wi-fi, do boteco-pé-sujo ao restaurante 3 estrelas, do vermelho (símbolo da Revolução Francesa e de tudo o que ela inspira até hoje) e do verde-e-amarelo, petistas e não petistas, eleitores de Dilma Rousseff ou não, eleitores com graves críticas ao governo da presidente, mas que sabem que impeachment não é solução, é consequência.

Em comum: somos contrários ao ódio de classe, à intolerância e à histeria coletiva que tomou conta do país, temos amor ao Brasil e a convicção de que democracia só se cura com mais democracia.

Assinam o Manifesto Popular “Gastronomia Contra o Golpe”:

1. Adalberto Ribeiro –Sócio da Grill Burger de Bragança (PA)
2. Airton Eré –Bartender da Malabar Drinks Artísticos (Florianópolis, SC)
3. Alexandre Bussab – Sócio do Raiz Forte Bar e Eventos (RJ)
4. Aline Lockmann de Azevedo Gomes – Jornalista (SP)
5. Ana Rojas – Jornalista de gastronomia (Brasil/Reino Unido)
6. Ana Candida Ferraz – Chef de sala (SP)
7. Analice Souza – Socióloga e chefe do Oliver Art Bar (Belo Horizonte, MG)
8. Annete Alves – Barista (Buenos Aires, Argentina)
9. Bel Coelho – Chef de cozinha do Clandestino (SP)
10. Bia Amorim – beer sommeliere (SP)
12. Bianca Barbosa – Chef (RJ)
13. Caio Zakia – Cozinheiro (SP)
14. Carmem Virginia – Chef-proprietário do Altar Cozinha Ancestral (Recife – PE)
15. Carolina Ronconi – Fundadora do blog Meninas no Boteco (SP)
15. Caroline de Azevedo – Cozinheira (RS)
16. Cilmara Bedaque – Jornalista do blog Lupulinas (SP)
17. Danilo Lodi – Barista, torrador de café e juiz internacional (SP)
18. Diogo Sevílio – Bartender (SP)
19.Dora Gil – Gerente de restaurante (SP)
20. Edson Pivoto – Gerente de restaurante (SP)
21. Elia Schramm – Chef (RJ)
22. Eliza D. Teixeira – chef e pesquisadora (Brasil/EUA)
23. Facundo Guerra – empresário do Grupo Vegas (SP)
24. Fel Mendes – Jornalista revista Rabo de Galo e incubador da abeLLha (SP)
25. Felipe Jannuzzi – Idealizador do Mapa da Cachaça (SP)
26. Flávia Pogliani – Barista (SP)
27. Gabriel Cavalcante – Cantor e gourmet (RJ)
28. Gabriel Torres – Barista do Por um Punhado de Dólares (SP)
29. Gabriella Kerber – Chef de cozinha (SP)
30. Giovanni Assante –Proprietário das massas Gerardo di Nolla (Nápoles, Itália)
31. Guga Rocha – Chef e apresentador de TV (Brasil/Canadá)
32. Gisele Coutinho – Barista do Pura Caffeina (SP)
33. Guilherme Schwinn – Chef e sommelier (SC)
34. Hanny Guimarães – Especialista em chás (SP)
35. Izabela Tavares – Padeira (SP)
36. João Felipe Morandi, mixologista (Belo Horizonte -MG)
37. João Grinspum Ferraz – Historiador, cientista político e p8oprietário da Casa do Carbonara (SP)
39. Juliana Gelbaum – Barista do Por um Punhado de Dólares (SP)
40. João Carvalho – Barista (São Lourenço, MG)
41. Julio Bernardo (JB) – Crítico gastronômico (SP)
42. Junior Milério – Jornalista (Brasil/Irlanda 41. Kátia Barbosa – Chef (RJ)
43. Lais Duo – Chef de cozinha (SP)
44. Leticia Balducci – beer sommelier na Casa da Cerveja (SP)
45. Luciana Berry – Chef (Brasil/Reino Unido)
46. Luciana Bianchi – Jornalista de gastronomia e chef (Reino Unido/Brasil)
47. Luciano Salomão – Barista e mestre de torra de café (SP)
48. Maira Marques – Bartender (Fortaleza, CE)
49. Mario Oliveira – Bartender (SP)
50. Marcelo Cury – Médico e jornalista de gastronomia (SP)
51. Marco de la Roche – Mixologista, editor do Mixology News e da revista Rabo de Galo (SP)
52. Marcos Néia – mixologista
53. Marcos Tomsic – Barista do Por um Punhado de Dólares (SP)
54. Marilia Zylbersztajn – Confeiteira (SP)
55. Pedro Marques – Jornalista especializado em gastronomia e bebidas (SP)
56. Priscila Sabará – Criadora do FoodPass (SP)
57. Raissa Palamarczuk – editora da revista Rabo de Galo (SP)
58. Rafael Mariachi – Mixologista (SP)
59. Raphael Criscuolo – Fotógrafo (SP)
60. Ricardo Pieralini – Jornalista (SP)
61. Roberta Malta – Jornalista (SP)
62. Roberto Hundertmark – Chef de cozinha (Belém – PA)
63. Robinho Bernardo – Barista do Por um Punhado de Dólares (SP)
64. Rodolfo Bob – Gastrônomo e mixologista diretor de OBarVirtual (SP)
65. Rodolfo Herrera – Barista, proprietário do Beluga Café (SP)
66. Roger Bastos – Bartender do Meza Bar (SP)
67. Sérgio Crusco – Jornalista gastronômico (SP)
68. Sheila Grecco – Jornalista, historiadora, RP na área gastronômica (SP)
69. Tabata Magarão – Sócia do Raiz Forte Bar e Eventos (RJ)
70. Tainá Hernandes – Confeiteira (SP)
71. Thiago Ceccotti – Bartender e consultor da Ducktails (Belo Horizonte, MG)
72. Thiago dos Santos – Bartender e idealizador da Samba Nego (SP)
73. Thiago Flores – Chef do Circo Voador (RJ)
74. Thiago Rosas – Restaurateur (PA)
75. Thiago Tavares – Empreendedor e cachacier (SP)
76. Thianny Estevam – Bartender do Zazá Bistrot (RJ)
77. Tony Harion – Diretor da Mixing Bar (SP)
78. Túlio Silva – Jornalista gastronômico do PenseComida (SP)
79. Victor Camerlingo – Barista do Por um Punhado de Dólares (SP)
80. Zulu – bartender do Anexo São Bento (SP)

Quem quiser se juntar o movimento, pode engrossar esse “caldo democrático”, assinando a petição abaixo, que será encaminhada ao Senado, como um instrumento de pressão aos senadores na hora do voto. Obrigada pelo apoio de todos!

Foto de Capa: Fotos Públicas

Compartilhe em suas redes sociaisShare on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Pin on Pinterest
Pinterest
Share on Tumblr
Tumblr
Share on LinkedIn
Linkedin

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *